Segunda-feira, Maio 26, 2008

Doce Viagem



a chama ainda arde
nas entranhas da cidade
luzes se misturam
pessoas se encontram

pego a estrada e sigo lentamente
até encontrar você, de repente

sinto o vento batendo
sinto saudade
de me embrenhar de novo
nas entranhas da cidade

pego a estrada e sigo lentamente
até encontrar você, de repente

cada curva uma lembrança
cada parada a esperança
te encontrar,
de novo
nas esquinas... da cidade

pego a estrada e sigo lentamente
até encontrar você, assim, de repente


Abraços e té más

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Nem tanto. Nem pouco.


a mulher perfeita
não tem rosto nem idade
não tem corpo
não tem maldade.

tem, sim, uma forma,
uma forma de saudade.

tem toda aquela sensibilidade
tem um brilho no olhar.
uma coisa assim tão mágica
que desperta o tocar – o querer e o desejar.

ela é, assim, tão bela...
uma coisa meio triste,
e, ao mesmo tempo, dela.
só dela.


Abraços e té más


Quarta-feira, Maio 14, 2008

Bem Doce

me sinto teu
irracionalmente teu
e mergulho tanto nisso
que chego a perder o (pouco) juízo

me sinto assim
apaixonadamente assim
quero te sentir transbordando
sempre, mostrando, exalando

sou todo desejo e emoção
um sem conta da razão
e não peço perdão
apenas compreensão

queria saber da vida metade
tentar curar a insanidade
e rasgar essa louca vontade
de te sentir, de novo... saudade.


Abraços e té más


Terça-feira, Maio 13, 2008

Fraqueza


A cerveja que não bebi
Me fez viajar muito mais
Me fez sentir muito mais
A embriaguez da realidade
A distorção de uma verdade

Hoje não sinto mais falta
Eu queria apenas uma volta
Eu queria mostrar
Eu queria dizer
Que tudo, afinal, é diferente

Todo aquele frio que sinto, agora
Toda aquela vida lá fora
São marcas, são reflexos
De um passado muito distante

São, então todas elas, forças
Forças opostas, forças apenas
Forças sorrindo, forças brigando
Forças sentindo, forças chorando
Desnecessariamente
Forças inertes
Forças, apenas

São coisas da vida
Coisas da sorte, coisas da morte
Pedidos, desejos
Pensar em tudo (em nada) e beber uma cerveja
Uma cerveja que não bebi...



Abraços e té más


Domingo, Maio 11, 2008

Nunca diga nunca

Também nunca fui chegado a ninfetas. Prefiro as mulheres mais maduras, mulheres com opinião, que sabem o que estão fazendo e não têm vergonha do que fazem. Mas aquela menina...


Abraços e té más


Sexta-feira, Maio 09, 2008

O melhor dia dos últimos dias


Lá estava eu, parado, sentado dentro do carro, no estacionamento, chave na ignição, pensando pra onde ir, o que fazer. Pensei em passar num mercado qualquer e comprar um vinho (qualquer) e mergulhar nos meus pensamentos, sozinho, em casa, relembrando algumas coisas, elucidando outras, e, invariavelmente pensando nela.
Ela. Sempre ela, que insiste em invadir meus pensamentos e bagunçar tudo.
Me lembro então, daquele sorriso, que era capaz de conquistar o mundo, que era capaz de arrancar suspiros masculinos e olhares de inveja feminina, e que era capaz de amolecer o coração mais duro que existe. Assim.
Me lembro assim.
Me lembro dela, daquele olhar, daquela coisa doce e aquele brilho que me fazia viajar muito..
Lembro do cheiro dela,
um cheiro inebriante,
delirante.
E como gostava de me embrenhar naqueles cabelos que me deixava completamente sem noção de tempo e espaço, e todas aquelas outras coisas dela, que, enfim, me deixava louco.
Sei lá. Às vezes, eu confesso, é difícil de pensar e definir. Mas só às vezes, claro.
E então penso mais um pouco – o que raramente acontece, aliás – e lembro de uma frase do Sêneca que cai como uma luva naqueles relacionamentos cujo desfecho é previsivelmente doloroso: “É mais fácil não começar do que terminar.”
"Não", pensei. Chega de ficar remoendo isso. Hora de sair desse ciclo vicioso.
Liguei para um amigo que está mais ou menos na mesma situação (ou situações, pois temos alguns - vários, muitos - pontos em comum) e ele me diz que está com uma menina e tal, naquela velha situação que o amigo leitor aí sabe bem como é.
"Mas vem, vamos tomar um chope, bater um papo".
Eu pensei que era melhor segurar vela do que ir pra casa. Qualquer coisa era melhor que ir pra casa naquela noite. Então fui.
Chegando lá, tão logo após cumprimentar o meu amigo e a "amiga" dele, vejo uns caras numa mesa lá no fundo, rindo muito e acenando com os braços: Meus amigos!! Minha turma!! Bem, pelo menos era parte dela. Nem pensei duas vezes e fui lá sentar com eles - melhor deixar o meu amigo em paz mesmo...
Tive, então, momentos extremos de boas risadas e lembranças de uma época em que tudo era festa e diversão, e os problemas eram tão diminutos e distantes que nem valia a pena se preocupar com isso. Ficamos horas conversando muito e lembrando histórias que, entre um chope e outro, renderam boas risadas. Ótimas risadas. Ótimos momentos.
Saí completamente do meu mundo todo cercado de tempos e espaços e viajei - sem escalas - nas minhas lembranças. Voltei pra casa flutuando. Leve. Feliz.
Com a certeza de que preciso trazer mais à tona essas boas lembranças, esses bons momentos da minha vida - e ampliar o campo de visão.
Que noite maravilhosa.
Quantas lições tirei de tudo isso.
Regozijante.

Abraços e té más



Quarta-feira, Maio 07, 2008

A vitória do amor sobre todas as coisas


Dizem que um homem só se conhece de verdade quando coloca à prova seus limites. Bem, eu posso dizer que já fiz algumas cagadas na vida, e que já acertei um punhado de vezes também – mas, afirmo categoricamente que, tudo o que fiz, foi movido pelo amor. O engraçado é se dar conta disso, assim, durante aquela xícara de café, em meio à pensamentos ociosos. Que coisa. Nunca imaginei que o amor fosse capaz de levar alguém tão longe – longe à ponto de testar os próprios limites, afinal.
E então penso mais um pouco – coisa que raramente acontece, aliás – e percebo que cada pessoa ama do seu próprio jeito. Mesmo as que mostram que isso não parece – ou então de uma forma distorcida. Pode ser que seja apenas uma questão de interpretação.
Como aquela vez, aquela sublime vez em que ela me olhou nos olhos e disse que... bom, melhor deixar pra lá, certas coisas não devem ser reduzidas à palavras, definições.

Abraços e té más