
E então me lembro da primeira vez em que ela disse “eu te amo”. Foi como se o universo todo tivesse parado, e, logo em seguida, dado um grande suspiro..
Seus dedos tocavam, de leve, a minha mão, por sobre a mesa do bar. Sua postura conseguia ser disfarçada muito bem dentro daquele vestido que realçava os seus seios e deixava os ombros de fora – ahhh, que ombros. Sim, era verão, amigo leitor, e os seus cabelos soltos caíam, uns fios, pelo rosto – e ela nem se importava. Ela não se importava com nada de supérfluo naquele momento.
Naquele nosso momento.
Foi como se aquelas teorias todas de tempo e espaço e relatividade e sei lá mais o quê estivessem todas de férias, todas elas, deixando tudo absurdamente livre e à nossa mercê naquele momento.
A única coisa que importava realmente era o que os olhos dela me diziam, e, dentro daquele olhar, eu pude perceber tudo, tudo o que a voz doce e macia dela queriam me dizer – num maldito pleonasmo que confesso: foi maravilhoso de ver e ouvir.
Uma das melhores experiências que tive em toda a minha famigerada vida.
E então me lembro de momentos, de frases, idéias e sorrisos – e momentos de pura e simples contemplação. Antes e depois do sexo, do amor. Do amor.
Lembro de tudo isso e penso que... ah, melhor deixar pra lá.
Hoje é um maldito dia que não quero pensar mais um pouco – coisa que raramente acontece, aliás.
Não quero pensar. Apenas lembrar.
Abraços e té más
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